Eu nunca fiz segredo
que a minha alma é cigana
perambula pelo mundo
dança, canta, não engana.
Meu coração… esse já é português
tem sotaque e nostalgia lusitanos
das margens do Tejo ficou freguês
e fados vive cantando.
Enquanto ele canta fados
a alma toca castanholas
mas ambos se abraçam contentes
numa moda de viola.
No bolero são renitentes
não desprezam seu encanto
mas sonham noites e dias
com a magia do tango.
Ah! eu jamais trocaria…
minha alma ou coração
são livres como águias no céu
trapaceiam como irmãos.
Já estiveram na Grécia
também em Jerusalém
mas a pátria deles e minha
é a pátria que ninguém tem.
Os sonhos mais lindos,
Sonhei,
De quimeras mil
Um castelo erguí
E no teu olhar,
Tonto de emoção,
Com sofreguidão,
Mil venturas previ...
O teu corpo é luz,
Sedução,
Poema divino,
Cheio de esplendor,
Teu sorriso,prende,
Inebria,entontece,
És fascinação
Amor!
Eu sou só um bicho carente de carinho
Uma criança problema no meio de um dilema
Ou choro sozinho num canto na hora do espanto
Ou banco o palhaço e faço estardalhaço
No fundo, no fundo, no fundo sou um vagabundo
Um vira-lata de raça, raposa no dia de caça
Eu quebro o protocolo, me atiro no seu colo
Eu salvo sua vida quando você se suicida
Minha dor não dói, sou marginal, sou herói
Eu sou Marlon Brando, vivo numa ilha
Não faço papel de santo nem pra minha família
Não posso ser outra coisa se não James Dean
Eu sempre fui mais bonzinho quando sou ruim
Minha dor não dói, sou marginal, sou herói!
O mar passa saborosamente a língua na areia
Que bem debochada, cínica que é
Permite deleitada esses abusos do mar
Por trás de uma folha de palmeira
A lua poderosa, mulher muito fogosa
Vem nua, vem nua
Sacudindo e brilhando inteira
Vem nua, vem nua
Sacudindo e brilhando inteira
Palmeiras se abraçam fortemente
Suspiram, dão gemidos, soltam ais
Um coqueirinho pergunta docemente
A outro coqueiro que o olha sonhador:
- Você me amará eternamente?
Ou amanhã tudo já se acabou?
- Nada acabará - grita o matagal -
Nada ainda começou!
Nada acabará - grita o matagal -
Nada ainda começou!
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
My only love sprung from my only hate!
Too early seen unknown, and known too late!
Prodigious birth of love it is to me
That I must love a loathèd enemy.
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